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Fernando Santos - Disco Umbanda Fernando Santos - "Disco-Umbanda" Apresentado durante o extinto programa de Carlos Imperial como "a macumba em ritmo de discoteque".

Ouça aqui.

Vinícius de Moraes e Baden Powell - Os Afro-SambasBaden Powell e Vinícius de Moraes - Os Afro-Sambas Dois clássicos da MPB num álbum memorável.

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Os TincoãsOs Tincoãs Informações e discografia do grupo baiano que usou do samba de roda e do candomblé em suas músicas.

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sábado, 28 de maio de 2011

0
Orishas y la Santería: Ancestralidade e uma primeira aproximação com Cuba



"Mi musica tiene sabor a melado de caña"
Muito lindo isso.

Orishas fizeram um relativo sucessinho aqui, com basicamente uma música que todo mundo conhece. E é justamente dela que eu vou falar hoje. rs FUEN FUEN FUUUUEEEENNNN

Meio chato mostrar uma coisa que todo mundo já sabe e já conhece, mas na obra dos Orishas, tirando o próprio nome, é o que mais se aproxima do Candomblé. Da Santería, no caso. Ao menos inicialmente, vai, não tenho TANTO contato com o que os caras produzem, mas tô começando a andar. E até então, essa é a mais pertinente para o tema.

Esse primeiro esforço é como o começo de uma construção de uma ponte que vai do Brasil à Cuba para trazer a Santería. E, desta forma, para que possamos estar mais familiarizados um com o outro e, sendo assim, ver mais semelhanças que a origem. E mais diferenças que o sotaque.



Além da citação no final a "Eleguá, (...)Ochún", existem referências explícitas o tempo todo à questão da ancestralidade. Este pensamento é algo que é fundamental no culto, e que tem, como algumas de suas ramificações, o conceito de egun e o culto de Egungun.

Traduzir "Egun" por "Espírito" é complicado, porque os conceitos não se comunicam tanto quanto se imagina. Mas, inicialmente e com uma margem de erro bem considerável, digamos que Egun seja o espírito das pessoas mortas. E que o culto de Egungun evoque, dentro desses eguns, os antepassados.

O culto de Egungun é feito num espaço separado das casas de Candomblé. No entanto, faz parte de um dos cultos que o Candomblé englobou quando foi criado no Brasil.

O QUE? CANDOMBLÉ FOI CRIADO NO BRASIL?

Sim. O formato tal qual existe é Brasileiro, embora os mitos sejam africanos. Por conta da diáspora africana, habitantes de povoados diversos, com deuses diversos, estabeleceram-se no país. Isto deu uma enorme diversidade à religião. E, com isso, existe um grande número de orixás dentro do Candomblé. Não todos, muitos ficaram pela África, muitos não existem mais. Muitos cultos foram extintos mesmo dentro do Brasil. No entanto, alguns fundamentos e o fato de serem todos louvados pelo mesmo xirê vêm, definitivamente, de ancestrais mais próximos. De ancestrais brasileiros.

Por conta disso, eu refuto a idéia de que o Candomblé é de uma ancestralidade "dinossáurica", que sempre foi assim e que sempre será. Não é bem por aí. Ou melhor: É também por aí, mas tem outros ipsilones no meio disso: Há muito de contemporâneo. Há muitas leituras que, se não são recentes, são do século passado, de dois séculos atrás.

Muita coisa foi adquirida no território brasileiro. De cantigas que possivelmente foram criadas aqui em Yorubá, até a utilização de plantas e sementes que, até então, só existiam nas Américas. Como o milho, por exemplo. Milho esse que está nas comidas de Oxóssi, e na pipoca de Obaluayê.

Os mitos e cultos são africanos. A leitura brasileira e a conjunção desses mitos e cultos num mesmo espaço geraram o Candomblé. Pela necessidade, pela possibilidade de união e conjunção de forças, frente a toda sorte de repressão e crueldade que era o contexto em que viviam os africanos no Brasil.

Os mesmos mitos e cultos, no entanto, também foram lidos em outros lugares. Também foram estruturados de outra forma, e Cuba está aí. Linda e cheia de axé. Através da música e da arte existe, então, uma possibilidade de contato entre esses axés. De diálogo.

E, com muita humildade na trouxa, é um caminho que a gente pode tentar seguir, e que vai nos levar a lugares maravilhosos.

Segue a música:
http://www.4shared.com/audio/ji67D9wo/07_Represent.html

Letra:
http://letras.terra.com.br/orishas/29595/

Essa música vem do álbum "A lo Cubano".
http://www.4shared.com/file/lh6nwd20/Orishas_-_A_Lo_Cubano.htm
Artista: ORISHAS
Ano: 2001
Procedência: Nacional
Label: Universal Music
ISSN: 601215957129


Motumbá
Helena

P.S.: Agora que eu vi que tem um "Canto ára Eleguá y Chango" que no meu primeiro download não tinha... ¬¬ Desconsiderem, então, a parte de "mais pertinente", até porque ainda não ouvi a música e não sei se de fato é.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

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Tincoãs


Procurava eu um filme antigo para download: Pastores da Noite – Otália da Bahia. E, no meio do caminho havia essa música.
E os Tincoãs aconteceram na minha vida. Nossa, que drama pra falar! Rss Mas é isso, a partir desta música, a vontade foi de conhecer todas. Esse tipo de samba é muito gostoso de ouvir, de dançar. E na discografia dos Tincoãs, há muitos nesse estilo. Mas há ainda mais: Houve um momento de cantos sacros católicos, algumas inspirações nas cantigas de terreiro e de músicas do cancioneiro popular. Tudo junto, numa expressão
Este grupo teve o seu primeiro álbum gravado na década de 70, mais precisamente em 73. Durante a sua história, sofreu baixas com a morte de integrantes ao longo do tempo. O único que ainda está vivo é Mateus Aleluia, que ainda toca em Salvador. O último lugar que fiquei sabendo era o “Colonial 17”, e isso já faz tempo. Infelizmente, desde então não soube de mais nada. Quando souber, aviso. E eventualmente ele faz participações em músicas de outros cantores. Segue a apresentação dele com Margareth de Menezes.


Álbum – Os Tincoãs (1973):
Faixas:
01- Deixa a gira girá (Adap. Mateus, Dadinho e Heraldo)
02- Iansã, mãe virgem (Mateus e Dadinho)
03- Sabiá roxa (Adap. Mateus, Dadinho e Heraldo)
04- Ogundê (Adap. Mateus e Dadinho)
05- Na beira do mar (Mateus, Dadinho)
06- Raposa e guará (Adap. Mateus e Dadinho)
07- Saudações aos orixás (Adap. Mateus e Dadinho)
08- Canto pra Iemanjá (Mateus e Dadinho)
09- Capela d'Ajuda (Adap. Mateus, Dadinho e Heraldo)
10- Obaluaê (Adap. Mateus, Dadinho e Heraldo)
11- A força da Jurema (Adap. Mateus, Dadinho e Heraldo)
12- Embola, embola (Adap. Mateus e Dadinho)

Álbum – O Africanto dos Tincoãs (1975):
Faixas:
01- Promessa Ao Gantois
02- Dora
03- Salmo
04- Homem Nagô
05- Canto E Danço Pra Curar
06- Sereia
07- Jó
08- Oxóssi Te Chama
09- Anita
10- Ogum Pai


Álbum – Tincoãs (1977):
Faixas:
1- Atabaque chora
2- Lamento as águas
3- Canto de dor
4- Chão da verdade
5- Romaria
6- Deixa a baiana sambar
7- Canto do Boiadeiro
8- Enterro da Iyalorixa
9- Chapéuzinho vermelho
10- Arrasta a cadeira
11- Cordeiro de Nana
12- Acará


Quarto CD: Dadinho e Mateus (1986):
Faixas:
01- Luanda Ê
02- Angola Vamos Cantar
03- África Blue
04- Quem Vem Lá
05- Flor Do Campo
06- Vovó Clementina
07- Rio Qg Do Samba
08- Muxima
09- Cachoeira (Bahia Lisboa)
10- Namíbia
11- Sou Eu Bahia
12- Óia Lá Muié


Canções avulsas:
Banzo (Trilha da novela "Escrava Isaura"):
http://www.4shared.com/file/39044133/83e9999c/05_-_Os_Tincos_-_Banzo.html?dirPwdVerified=c8ef1512

Marialva ("Trilha do filme Pastores da Noite - Otália da Bahia"):
http://www.4shared.com/audio/5qXVlDnk/Os_Pastores_da_Noite__Otlia_da.html


Achando mais, corro e posto.
Motumbá
Helena

segunda-feira, 16 de maio de 2011

2
"Os Afro-Sambas": Encontro e Entrega

"(...)E não digo na vaidade de ser letrista dos mesmos (sambas); digo-o em consideração à sua extraordinária qualidade artística, à misteriosa trama que os envolve: um tal encantamento em alguns que não há como sucumbir à sua sedução, partir em direção ao seu patético apelo."

Estas são algumas palavras das muitas que Vinícius usou na contra capa deste disco. O texto é maravilhoso, e fiz um post só com a transcrição dele feita a partir da imagem dessa contra capa, que achei no blog "Pirata do Rock".

O texto é parte integrante do álbum. Nele, Vinícius conta do processo do trabalho, de como tudo se deu. E a palavra que ressalto nesse primeiro momento é ENCONTRO. Encontro de duas pessoas extremamente diferentes, o tímido e jovem Baden, o boêmio e já não tão jovem Vinícius. E dos dois com uma imensa lacuna que era o Candomblé.

O processo de trabalho e de pesquisa foi intenso. Desdobrou-se e inclusive antecipou o próprio álbum, como na faixa "Berimbau", por exemplo, que é anterior ao álbum. Nos três primeiros meses, segundo o próprio Vinícius, os dois não queriam sequer sair de casa. O que era uma lacuna passou a ser uma garganta em que os dois pularam. E surge uma segunda palavra para o trabalho: ENTREGA.



De alguma forma, ENCONTRO e ENTREGA vão se desdobrando a cada toque do run. E geram descobrimento, redescobrimento, deflagração, mergulho. E uma perícia no trato das questões técnicas, um respeito a cada ewó¹. Com um entendimento de que a materialidade sonora,não só faria referência a um tema específico - no caso, um orixá - mas também era, em cada nota, parte da construção de conceito, de discurso e de mais materialidade. As três coisas juntas: Era axé.

Segue a imagem da contra capa com o texto de Vinícius:



Vinícius nesse momento é crítico do próprio trabalho. E antecipa, em 1966, uma tendência da arte contemporânea. Além disso, traz para o processo do seu trabalho musical a isenção do ambiente empostado de gravação. Traz pessoas alheias ao mercado da música, como pessoas encontradas pela cidade, e mesmo amigos, para participar da gravação. Pelo axé que trazem consigo para o processo de gravação. Por isso ele diz que "foram escolhidos a dedo", na contra capa.

Ele mesmo, o poetinha, o popular, o vulgar, o das massas. Ele mesmo, Oba Vinícius. Que se disse o branco mais preto do Brasil, e era da linha direta de Xangô. E saravá!




Sem mais delongas.

DOWNLOAD

Tipo de arquivo: RAR
Tamanho: 56,2MB
Disco Completo
http://www.4shared.com/file/GDuqPBNX/1966_-_Os_Afro_Sambas__Forma_.html


Faixas:
  1. Canto de Ossanha - 03:23
  2. Canto de Xangô - 06:28
  3. Bocoché - 02:34
  4. Canto de Iemanjá - 04:47
  5. Tempo de amor - 04:28
  6. Canto do Caboclo Pedra-Preta - 03:39
  7. Tristeza e solidão - 04:35
  8. Lamento de Exu - 02:16




Informações sobre o álbum:
Artistas: Vinícius de Moraes e Baden Powell
Nome: Os Afro-Sambas
Ano de Lançamento: 1966
Gravadora: Forma



Ficha técnica:
Produção e direção artística:
Roberto Quartin e Wadi Gebara
Técnico de gravação: Ademar Rocha
Contracapa: Vinicius de Moraes
Fotos: Pedro de Moraes
Capa: Goebel Weyne
Arranjos e regência: Maestro Guerra Peixe
Vocais: Vinicius de Moraes, Quarteto em Cy e Coro Misto
Sax tenor: Pedro Luiz de Assis
Sax barítono: Aurino Ferreira
Flauta: Nicolino Cópia
Violão: Baden Powell
Contrabaixo: Jorge Marinho
Bateria: Reisinho
Atabaque: Alfredo Bessa
Atabaque pequeno: Nelson Luiz
Bongô: Alexandre Silva Martins
Pandeiro: Gilson de Freitas
Agogô: Mineirinho
Afoxé: Adyr Jose Raimundo

domingo, 15 de maio de 2011

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Fernando Santos: A umbanda em ritmo de discoteque

Essa é um garimpo. MESMO.

A música me foi apresentada por um amigo mais velho (inclusive fico em dúvida se deixo o crédito a ele aqui¹), data da década de 70. O link de vídeo que segue é do programa do Carlos Imperial, e foi resgatado pela galera do MofoTV.



Viagem no tempo, né? Bacana. Interessante pensar o como era apresentada a questão, como aparecia na TV. Apesar de ser antes de eu nascer, não faz tanto tempo assim. E no entanto, era um outro Brasil, uma outra umbanda. Vista de forma completamente diferente.

De novo: Um tempo que eu não vivi. Mas do qual eu ouço falar, porque é o da juventude dos meus pais, que eram do candomblé nessa época. Muita coisa que era feita foi perdida, muita coisa foi relida. Porque havia uma perseguição - ainda em 70, vai acreditar - às religiões afro. Não vou me estender muito no assunto porque é algo que eu quero entrevistar pessoas pra saber, e não falar besteira.

O que eu quero ressaltar é que mesmo numa época de tanta perseguição, havia, de alguma forma, manifestações na TV aberta que trouxessem essas questões. Muito foi feito. Há muito a se descobrir. A se gostar?

Enfim, como disse (de forma extremamente sensacionalista, exagerada e cômica) o Imperial: "De norte a sul discute-se: É valido ou não é válido a umbanda em ritmo de discoteque?"

Fica a questão. rssss



Segue o link para download do álbum completo. MUITO garimpo isso:

Tipo de arquivo: RAR
Tamanho: 53,7MB
Disco completo
http://www.4shared.com/file/Lv020bsu/Fernando_Santos_-_Fernando_San.html

Informações do Álbum
Artista: Fernando Santos
Nome: DiscoUmbanda
Ano de lançamento: 1978
Gravadora: CBS (Pelo selo na parte de cima da capa do álbum, mas informação não confirmada)

E onde estará Fernando e a sua DiscoUmbanda? Fernando eu não sei. E olhem que eu procurei, viu. Quem souber, dê a dica. Agora... Sobre a música, a chance é grande que tenha sido um único álbum.

Procurei por um link de venda de CD, mas não achei também.

Motumbá
Helena


¹ - Não sei se ele ficaria mto feliz em ver o nome aqui, então resolvi não colocar. Mas enfim, todos os créditos a ele: Foi quem me deu o caminho pra essa música e esse álbum.